
Odeio quando uma série que eu acompanho começa a cair de qualidade. É algo muito não válido você ver os roteiristas errando, enrolando, se repetindo. É ruim quando ao assistir um episódio de série ou mesmo um filme que seja você consegue perceber a presença da equipe que produz, ou seja, você consiga sair da realidade apresentada e note que é uma realidade controlada, e no pior caso, mal conduzida. Acho que em ficção visual temos que, pelo menos em um primeiro momento, mergulhar na realidade da história e pensar que ela se movimenta e contece por conta própria. Tudo bem quando vemos um filme do Tarantino, por exemplo, e reconhemos os diálogos ou quando reconhecemos a estética de Tim Burton em suas produções, nada que atrapalhe a verossimilhança da produção. Mas quando sentimos que a história se conduz pelas mãos de alguém, e isso geralmente acontece quando percebemos erros, é o maior corta tesão.
Isso atualmente acontece numa das minhas sérias preferidas, a qual acompanho há cinco anos - Desperate Housewives.
O que me seduziu de inicio na série foi a inteligência do humor por vezes negro, presente em cenas simples, a construção bem arranjada dos personagens e a história aparentemente inocente. As donas de casa viviam ali, aconteciam por si mesmas, suas ações e reações eram totalemnte verossímeis e condiziam com a personalidade de cada uma. A história central, ou o mistério que cada temporada contava, era desvendada de maneira sutil, e só servia de pano de fundo para assistirmos Bree, Lynette, Susan, Gaby e Edie se relacionar e viver suas vidas de subúrbio americano de maneira inusitada e casual ao mesmo tempo.
DH era uma série que produzia semanalmente cenas marcantes acompanhadas de trilha incidental perfeita, que através do ridículo ia do drama à comédia e comunicava exatamente o desespero que uma vida simples e previsível pode causar. Várias dessas cenas já fazem parte da minha história televisiva, como a da Gaby cortanto grama a noite com um
Vera Wang longo, Susan presa no buraco do chão no apartamento do Mike, Bree chorando escondida no banheiro ao visitar Rex no hospital, Lynette entrando na piscina de salto alto para tirar seus filhos ou Edie lavando o carro a là Mariah Carey para seduzir Mike.
Uma pena dizer que parece que a inspiração acabou. Na atual temporada, o que vimos foi uma arrastação sem fim, acompanhada por um mistério óbvio desde a season premiere. As desperates agiram como crianças em várias situações, indo contra às suas personalidades a ao cresimento das mesmas no decorrer do seriado. Marc Cherry perdeu o fôlego visivelmente, e percebemos várias escorregadas do produtor-criador-roteirista da série, figurando como o maior deles a morte sem sentido de Edie, uma as personagens mais ricas e interessantes. As condições da morte de Edie foram ridículas, o seu capítulo despedida foi sofrível e clichê, adjetivo nunca antes tão pertinente ao seriado. E parece que até as atuações, que sempre foram merecedoras de elogios e indicações ao Emmy, caíram na mesmice. Quem continua ainda gerando cenas interessantes e divetidas é Gaby Solis, personagem da ótima Eva Longoria, que carregou vários episódios dessa season nas costas e me impediu de dormir durante vários deles.
A série parece ser rondada por uma preguiça geral, tanto por parte dos produtores quanto do elenco. Talvez o cansaço de cinco temporadas seja a causa. Mesmo com tanta
make up, botox e figurino, as marcas da idade começam a aparecer, senão nas atrizes, no programa em geral.